Ainda tenho certeza de que olhar para dentro é o melhor caminho pra compreender o mundo lá fora. É a forma mais simples. Mas por que então é tão complicado encontrar as respostas? Afirmar com certeza.
De algumas coisas na vida, parece que eu ja nasci sabendo, outras, aprendi. Mas têm umas que eu sinto a resposta, mas ela não é certa.
Pode ser o que sinto, mas pode ser que não. À mercê do destino. Inconstante como a multidão.
Sei que dependo do tudo e de todos. Meu destino tá interligado. Assim como o de todo mundo. Mas às vezes parece que tá nas minhas mãos, sabe?
E lá vem o destino me convidar para mais uma partida de ping-pong.
Ele pergunta. Ping. Eu respondo. Pong. Eu respondo, ele pergunta. Ponto.
PRA QUEEEEEMMM?
Bom, o importante é que eu confio. E seja lá o prêmio que for no final do torneio, eu vou me divertir. Sem competir.
Só entrar no jogo e brincar de viver.
03/04/2010
30/03/2010
"Um sonho possível"
A moça tava saindo do cinema e notou que um rapaz insistia em encará-la.
Bateu um medinho, disfarçou, entrou no banheiro, marcou um 10 e saiu.
Olhou para os lados, não o viu, seguiu em frente. Ao virar à esquerda, para sua surpresa, trombou com o indivíduo. Tomou um susto e deu um grito:
"Aaaai! Vc tá me seguindo?"
Ele respondeu: "Sabe o que é... é que eu tava te olhando... Vc é a cara daquela atriz... a Sandra Bulldog. Aí fiquei te olhando... E tive a certeza! É você! Nossa... eu sou apaixonado pelo seu trabalho. Amei aquela peça que vc fez: Um sonho possível. Nossa... arrasou!"
Ela disse: "Ahh.. sabe o que é? Na verdade eu sou cantora. Esse foi um papel que eu interpretei num musical. Minha personagem era uma atriz chamada Sandra Bulldog. Mas essa peça só ficou três meses em cartaz. Na verdade, meu nome é Roberta. Prazer!"
Ele, indignado, disse: "Não, eu tenho certeza!!! Vc é a Sandra Bulldog. Te vi na tv outro dia. Vc tava até recebendo um prêmio por essa peça."
Ela, sem saber o que dizer, tentou outra vez: "Não, não... meu nome é Roberta Spindel. Vc deve estar confundindo. Às vezes a gente mistura a fantasia dos musicais com a realidade, aí acaba criando essa ilusão. Eu sou cantora. Agora tenho até feito trabalhos que levam mais o meu nome. Vc pode até conferir ó.. taqui o meu site nesse cartão. É só clicar no meu nome que abre a janelinha, aí vc clica em..."
Nesse meio tempo ela ouve um grito: "Me dá um real pra eu tomar sorveteeee???"
Era um garotinho loirinho.
Ela sorriu, pediu licença ao rapaz, e disse: "Vamos lá, mocinho. O meu vai ser de... vc conhece alguma fruta azul? Tô com um desejo de fruta azul... "
E ele disse: "Blueberry! Também quero esse!".
Ela perguntou: "Cadê o seu pai?"
Ele: "Não sei... acho que foi pedir um autógrafo pra uma atriz..."
E os dois seguiram para a sorveteria.
Bateu um medinho, disfarçou, entrou no banheiro, marcou um 10 e saiu.
Olhou para os lados, não o viu, seguiu em frente. Ao virar à esquerda, para sua surpresa, trombou com o indivíduo. Tomou um susto e deu um grito:
"Aaaai! Vc tá me seguindo?"
Ele respondeu: "Sabe o que é... é que eu tava te olhando... Vc é a cara daquela atriz... a Sandra Bulldog. Aí fiquei te olhando... E tive a certeza! É você! Nossa... eu sou apaixonado pelo seu trabalho. Amei aquela peça que vc fez: Um sonho possível. Nossa... arrasou!"
Ela disse: "Ahh.. sabe o que é? Na verdade eu sou cantora. Esse foi um papel que eu interpretei num musical. Minha personagem era uma atriz chamada Sandra Bulldog. Mas essa peça só ficou três meses em cartaz. Na verdade, meu nome é Roberta. Prazer!"
Ele, indignado, disse: "Não, eu tenho certeza!!! Vc é a Sandra Bulldog. Te vi na tv outro dia. Vc tava até recebendo um prêmio por essa peça."
Ela, sem saber o que dizer, tentou outra vez: "Não, não... meu nome é Roberta Spindel. Vc deve estar confundindo. Às vezes a gente mistura a fantasia dos musicais com a realidade, aí acaba criando essa ilusão. Eu sou cantora. Agora tenho até feito trabalhos que levam mais o meu nome. Vc pode até conferir ó.. taqui o meu site nesse cartão. É só clicar no meu nome que abre a janelinha, aí vc clica em..."
Nesse meio tempo ela ouve um grito: "Me dá um real pra eu tomar sorveteeee???"
Era um garotinho loirinho.
Ela sorriu, pediu licença ao rapaz, e disse: "Vamos lá, mocinho. O meu vai ser de... vc conhece alguma fruta azul? Tô com um desejo de fruta azul... "
E ele disse: "Blueberry! Também quero esse!".
Ela perguntou: "Cadê o seu pai?"
Ele: "Não sei... acho que foi pedir um autógrafo pra uma atriz..."
E os dois seguiram para a sorveteria.
28/03/2010
Rolo Compressor
E o rolo ia passando por cima de tudo e todos que via.
Ia esmagando e juntando os pedacinhos, como numa grande e longa folha de destroços.
Desfilava seu peso sobre os passantes não porque queria simplesmente destruí-los. Fazia porque precisava ser compreendido. Reproduzia diariamente na rua a sequência de acontecimentos de tudo que havia sido esmagado dentro dele no seu processo de construção.
E não sabia de outro jeito. E nem aprenderia.
Talvez em outra encarnação.
Ia esmagando e juntando os pedacinhos, como numa grande e longa folha de destroços.
Desfilava seu peso sobre os passantes não porque queria simplesmente destruí-los. Fazia porque precisava ser compreendido. Reproduzia diariamente na rua a sequência de acontecimentos de tudo que havia sido esmagado dentro dele no seu processo de construção.
E não sabia de outro jeito. E nem aprenderia.
Talvez em outra encarnação.
08/02/2010
Partes de mim
Existe uma parte de mim que sou eu e outra que teima em dizer quem eu sou.
Num lado reside a paz, no outro a guerra.
A paz diz pra guerra se perdoar, que não tem erro não, que na vida pra tudo tem solução.
A guerra escuta calada e entende sem mágoas.
A mágoa, magoadíssima, bota a culpa no orgulho.
O orgulho, por sua vez, se sente ferido e dá um tiro pro ar.
O ar tira o corpo fora e diz que está de passagem.
O lado esquerdo teima em mandar no direito.
Diz que quem sabe das coisas é o coração.
E o coração, diz que o peito tem sempre razão.
O peito, congestionado, diz que quem bate, sempre perde a razão.
Sorrateiro, o medo se aproveita da discussão
E espalha o boato que lá fora tem bicho-papão.
O cérebro, de coque e salto, argumenta a sua visão.
A visão diz que o lado de fora bate tão forte quanto o coração.
Um lado é mãe, o outro irmão.
Moram no mesmo prédio.
De um lado Estela, do outro Euclides.
São vizinhos há mais de vinte anos.
Nunca se encontraram, mas vivem reclamando um do outro pro síndico.
Seu Deusimar... sabe das coisas.
Diz que vai convocar uma reunião.
Tá todo mundo convidado.
Estela, Euclides, Coração....
Euclides diz que é contra a paralização.
Que não se pode parar assim o coração.
Estela diz que o tempo é o senhor da razão.
Seu Deusimar sentiu o drama.
Teve dor de cabeça ao levantar da cama.
Mas não desiste nunca.
De manhã, foi até janela e mandou o mundo inteiro dar uma volta.
E ai de quem disser que não.
Num lado reside a paz, no outro a guerra.
A paz diz pra guerra se perdoar, que não tem erro não, que na vida pra tudo tem solução.
A guerra escuta calada e entende sem mágoas.
A mágoa, magoadíssima, bota a culpa no orgulho.
O orgulho, por sua vez, se sente ferido e dá um tiro pro ar.
O ar tira o corpo fora e diz que está de passagem.
O lado esquerdo teima em mandar no direito.
Diz que quem sabe das coisas é o coração.
E o coração, diz que o peito tem sempre razão.
O peito, congestionado, diz que quem bate, sempre perde a razão.
Sorrateiro, o medo se aproveita da discussão
E espalha o boato que lá fora tem bicho-papão.
O cérebro, de coque e salto, argumenta a sua visão.
A visão diz que o lado de fora bate tão forte quanto o coração.
Um lado é mãe, o outro irmão.
Moram no mesmo prédio.
De um lado Estela, do outro Euclides.
São vizinhos há mais de vinte anos.
Nunca se encontraram, mas vivem reclamando um do outro pro síndico.
Seu Deusimar... sabe das coisas.
Diz que vai convocar uma reunião.
Tá todo mundo convidado.
Estela, Euclides, Coração....
Euclides diz que é contra a paralização.
Que não se pode parar assim o coração.
Estela diz que o tempo é o senhor da razão.
Seu Deusimar sentiu o drama.
Teve dor de cabeça ao levantar da cama.
Mas não desiste nunca.
De manhã, foi até janela e mandou o mundo inteiro dar uma volta.
E ai de quem disser que não.
31/01/2010
18/01/2010
O dia em que os olhos gritaram
Ela não assistia televisão. Quando comentavam sobre a novela ela respondia timidamente: "É que eu não vejo tv..."
Ficava sem graça pq sabia que dentro da cabeça dos outros sempre passava o pensamento: "huuum... pseudo-intelectualzinha. Deve ver Big Brother escondida no youtube." E de fato já havia acompanhado muitas edições, na tv mesmo. Ela até havia trabalhado na tv por um tempo considerável. E como era considerado um crime dizer na frente de seus chefes que não era tão fã assim de tv, sempre confirmava com a cabeça quando o assunto era a programação.
Trabalhava pq tanto o trabalho quanto os colegas eram ótimos. Mas sempre soube que sua alma não estava ali.
Ela preferia a música. Gostava de fechar os olhos e criar sua própria cena.
Achava que a vida deveria ter trilha sonora. Por isso o tal do mp3 grudado nos ouvidos o dia inteiro.
As pessoas ficavam chocadas. Não entendiam como ela poderia preferir o som à imagem.
A verdade é que ela sabia disfarçar muito bem, mas poucos sabiam que ela era autista.
A música era a única forma de acalma-la. Quando era criança se fechava no seu mundo, sentia dor e alegria com 10 vezes mais intensidade. A vida lhe rasgava o estômago, formigava a pele, desritimava o coração.
Então resolveu se trancar no quarto e ouvir música. No máximo. Pra não ter que ouvir mais nada.
Seus pais tinham vergonha dessa condição. O que os outros iriam achar? A menina ouve música! No máximo! E CANTA junto!!!!
Depois de tanta decepção, deixaram de ouvi-la. Criaram um tipo de barreira sonora que não permitia nem mesmo que reconhecessem o timbre de sua voz. Sabiam que era ela apenas quando a menina abria a porta do quarto.
Ela gritava. Sussurrava. Tentava os graves, mas nem mesmo os agudos podiam ser ouvidos através da porta.
Foi aí que resolveu fingir ser normal.
Destrancou a porta do quarto e durante anos se comunicou por sinais.
Terminou o colégio, se formou na faculdade, trabalhou na tv.
Tudo isso sem dizer uma palavra.
Num dia de calor estava bebendo uma garrafinha daquelas de água de maçã e em meio a um soluço disse:
"Esoauuuu!!!"
Um velhinho passava ao seu lado na rua. Usava um aparelhinho daqueles de audição cor da pele. E mesmo não parecendo estar na sua melhor condição disse:
"Heein?"
Ela disse:
"Esooooaaaa..aaaaaaahhhhhhhhhh!!!"
O velhinho ficou olhando com um olhar parado durante algum tempo. Ela tentou os sinais. Fez umas caretas. Nada. Estranho. Ela pensou: "Ih, o vovô morreu!"
Então, ele franziu a testa como se tentasse entender.
A menina deu outro gole, dessa vez entornou a garrafa inteira pra ver se a frase vinha:
"Eeeee eu... eeeeee... eeeeeeuuu...
EEEEEUUUUUU SOU AUTISTA, PORRA!!!"
O velhinho falou:
"Pode falar mais baixo, minha filha, eu não sou surdo. Estou ouvindo. As pessoas achavam que eu não escutava por estar velho, então botei esse aparelhinho aqui pra elas ficarem tranquilas, mas eu escuto perfeitamente. Mas me diga. Qual é o problema?"
Ela disse baixinho: "É que eu sou autista e gosto de ouvir música e cantar junto."
Então o vovô disse:
"Mas que beleza minha jovem. E eu adoro ouvi-las. Ninguém sabe, mas quando a vizinhança vai dormir, eu canto escondido no banheiro."
Ela tomou um susto. Nervosa. Ficou imóvel. A respiração parou.
O velhinho continuou falando e quando olhou pro lado a menina não estava mais lá. Olhou para baixo e ao lado do seu pé estavam os óculos de grau da menina.
Ele sabia que aquele assunto não poderia morrer ali, era papo pra vida, ainda tinha muita coisa pra dizer e escutar.
Então, com a ponta do pé mesmo puxou os óculos do chão e foi de oftamologista em oftamologista descobrir onde morava a moça com 4,25 graus de miopia e 0,75 de astigmatismo.
Hoje, ela fala. Não deixou de ser autista, não. Muito menos de ouvir música. É o que mais faz, inclusive. Depois que perdeu os óculos, sua visão ficou turva. Vê um amontoado de cores.
Essa manhã estava em seu quarto, ouvindo música, quando escutou um velho cantarolar pela janela. Não conseguia enxergar quem era.
A voz foi ficando mais alta, mais alta...
Quando parou frente a frente com um borrão azul e branco.
Era o velhinho.
Ele, que havia pedido para todas as garotas do prédio experimentarem os óculos, para descobrir a verdadeira dona, quando a viu, nervoso, deixou escorregar os óculos pelas mãos. As lentes se quebraram.
Ela, com o pé, deu um chutinho discreto nos óculos, se aproximou e disse:
"Eu enxergo de perto".
Ficava sem graça pq sabia que dentro da cabeça dos outros sempre passava o pensamento: "huuum... pseudo-intelectualzinha. Deve ver Big Brother escondida no youtube." E de fato já havia acompanhado muitas edições, na tv mesmo. Ela até havia trabalhado na tv por um tempo considerável. E como era considerado um crime dizer na frente de seus chefes que não era tão fã assim de tv, sempre confirmava com a cabeça quando o assunto era a programação.
Trabalhava pq tanto o trabalho quanto os colegas eram ótimos. Mas sempre soube que sua alma não estava ali.
Ela preferia a música. Gostava de fechar os olhos e criar sua própria cena.
Achava que a vida deveria ter trilha sonora. Por isso o tal do mp3 grudado nos ouvidos o dia inteiro.
As pessoas ficavam chocadas. Não entendiam como ela poderia preferir o som à imagem.
A verdade é que ela sabia disfarçar muito bem, mas poucos sabiam que ela era autista.
A música era a única forma de acalma-la. Quando era criança se fechava no seu mundo, sentia dor e alegria com 10 vezes mais intensidade. A vida lhe rasgava o estômago, formigava a pele, desritimava o coração.
Então resolveu se trancar no quarto e ouvir música. No máximo. Pra não ter que ouvir mais nada.
Seus pais tinham vergonha dessa condição. O que os outros iriam achar? A menina ouve música! No máximo! E CANTA junto!!!!
Depois de tanta decepção, deixaram de ouvi-la. Criaram um tipo de barreira sonora que não permitia nem mesmo que reconhecessem o timbre de sua voz. Sabiam que era ela apenas quando a menina abria a porta do quarto.
Ela gritava. Sussurrava. Tentava os graves, mas nem mesmo os agudos podiam ser ouvidos através da porta.
Foi aí que resolveu fingir ser normal.
Destrancou a porta do quarto e durante anos se comunicou por sinais.
Terminou o colégio, se formou na faculdade, trabalhou na tv.
Tudo isso sem dizer uma palavra.
Num dia de calor estava bebendo uma garrafinha daquelas de água de maçã e em meio a um soluço disse:
"Esoauuuu!!!"
Um velhinho passava ao seu lado na rua. Usava um aparelhinho daqueles de audição cor da pele. E mesmo não parecendo estar na sua melhor condição disse:
"Heein?"
Ela disse:
"Esooooaaaa..aaaaaaahhhhhhhhhh!!!"
O velhinho ficou olhando com um olhar parado durante algum tempo. Ela tentou os sinais. Fez umas caretas. Nada. Estranho. Ela pensou: "Ih, o vovô morreu!"
Então, ele franziu a testa como se tentasse entender.
A menina deu outro gole, dessa vez entornou a garrafa inteira pra ver se a frase vinha:
"Eeeee eu... eeeeee... eeeeeeuuu...
EEEEEUUUUUU SOU AUTISTA, PORRA!!!"
O velhinho falou:
"Pode falar mais baixo, minha filha, eu não sou surdo. Estou ouvindo. As pessoas achavam que eu não escutava por estar velho, então botei esse aparelhinho aqui pra elas ficarem tranquilas, mas eu escuto perfeitamente. Mas me diga. Qual é o problema?"
Ela disse baixinho: "É que eu sou autista e gosto de ouvir música e cantar junto."
Então o vovô disse:
"Mas que beleza minha jovem. E eu adoro ouvi-las. Ninguém sabe, mas quando a vizinhança vai dormir, eu canto escondido no banheiro."
Ela tomou um susto. Nervosa. Ficou imóvel. A respiração parou.
O velhinho continuou falando e quando olhou pro lado a menina não estava mais lá. Olhou para baixo e ao lado do seu pé estavam os óculos de grau da menina.
Ele sabia que aquele assunto não poderia morrer ali, era papo pra vida, ainda tinha muita coisa pra dizer e escutar.
Então, com a ponta do pé mesmo puxou os óculos do chão e foi de oftamologista em oftamologista descobrir onde morava a moça com 4,25 graus de miopia e 0,75 de astigmatismo.
Hoje, ela fala. Não deixou de ser autista, não. Muito menos de ouvir música. É o que mais faz, inclusive. Depois que perdeu os óculos, sua visão ficou turva. Vê um amontoado de cores.
Essa manhã estava em seu quarto, ouvindo música, quando escutou um velho cantarolar pela janela. Não conseguia enxergar quem era.
A voz foi ficando mais alta, mais alta...
Quando parou frente a frente com um borrão azul e branco.
Era o velhinho.
Ele, que havia pedido para todas as garotas do prédio experimentarem os óculos, para descobrir a verdadeira dona, quando a viu, nervoso, deixou escorregar os óculos pelas mãos. As lentes se quebraram.
Ela, com o pé, deu um chutinho discreto nos óculos, se aproximou e disse:
"Eu enxergo de perto".
14/12/2009
Precisa-se
É preciso ser alto
É preciso ser magro
É preciso ter fome
É preciso usar salto
Tem que ser descolado
E caprichar no visual
Também tem que ser culto
Necessita ler jornal
Não precisa de óculos
Miopia tá out
Não requer sabedoria
Basta ser genial
Não é muito, nem pouco
Médio tá normal
Pode copiar dos outros
Mas tem que ser original
Nem rico demais
Ou pobre de menos
na real o que vale
É o referencial
Basta uma pedra no colo
Ou furar a camisa
Pode ser inimigo
Ou aquele que avisa
Não pode ser burro
Não pode ser pato
Tem que fazer história
Príncipe ou sapo
Tem que usar saia curta
Tem que fazer um mestrado
Tem que ler O segredo
E ter um bom bronzeado
Tem que fazer de coitado
Quem mostra a cara é malvado
Tem que dizer as palavras
Que os outros gostam de ouvir
Tem que perder a vergonha
Não pode ficar calado
Tem que engolir o choro
E depois rolar de rir
Tem que saber fazer rima
Ou achar isso patético
Tem que entrar no clima
Ou estragar esse verso
Pode ser invisível
Ou deixar uma pista
Basta ser na prancheta
o papel de quem risca
Alguns dizem que meia palavra basta
Que na vida a gente deve aprender
E enquanto alguns aprendem a ser gente
Eu vou aprendendo a ser.
É preciso ser magro
É preciso ter fome
É preciso usar salto
Tem que ser descolado
E caprichar no visual
Também tem que ser culto
Necessita ler jornal
Não precisa de óculos
Miopia tá out
Não requer sabedoria
Basta ser genial
Não é muito, nem pouco
Médio tá normal
Pode copiar dos outros
Mas tem que ser original
Nem rico demais
Ou pobre de menos
na real o que vale
É o referencial
Basta uma pedra no colo
Ou furar a camisa
Pode ser inimigo
Ou aquele que avisa
Não pode ser burro
Não pode ser pato
Tem que fazer história
Príncipe ou sapo
Tem que usar saia curta
Tem que fazer um mestrado
Tem que ler O segredo
E ter um bom bronzeado
Tem que fazer de coitado
Quem mostra a cara é malvado
Tem que dizer as palavras
Que os outros gostam de ouvir
Tem que perder a vergonha
Não pode ficar calado
Tem que engolir o choro
E depois rolar de rir
Tem que saber fazer rima
Ou achar isso patético
Tem que entrar no clima
Ou estragar esse verso
Pode ser invisível
Ou deixar uma pista
Basta ser na prancheta
o papel de quem risca
Alguns dizem que meia palavra basta
Que na vida a gente deve aprender
E enquanto alguns aprendem a ser gente
Eu vou aprendendo a ser.
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